Agora eu estou sozinha, em um quarto escuro, as janelas têm grades, na cama só tem um colchão duro e um lençol branco pálido. É meu primeiro dia aqui, dizem que estou maluca, mas, como posso ser maluca se só tenho 18 anos, e nunca fiz nada de errado, bem, quase nada. Colocaram-me aqui como se prende um canário de quem não se quer ouvir o canto. Tento sair, mas não posso os de branco me impedem e me dão uns comprimidinhos que me deixam mole, - o que está acontecendo comigo? Eu não posso ficar aqui com essas pessoas que não me conhecem.
Já não estou, mas sozinha, estou com os anjos, eles me levam a voar no infinito, vou para o céu com as estrelas, será que elas brilham mais do que eu? Não posso acreditar que simples poera cósmica valia mais do que eu.
Acordo, ainda estou nesse quarto o sol brilha forte, hoje eu perguntei a ele por que tenho que ficar aqui presa e ele ai livre tão longe mesmo para me ajudar, sinto seu calor como reposta, mas o que ele realmente diz?
Levam-me para fora, ou será que foi para dentro, para dentro do inferno. Todos olham para o lado onde não há nada, seus olhares são tão vazios com o mundo dentro de si. Eu não consigo me imaginar como eles, eu não posso ser doida, não sou eu sei o que posso fazer para eles entenderem... Eu me debato, eu grito, eu corro, mas logo estou de volta ao quarto e ao céu com os anjos. Eles falam comigo coisas sem sentido que eu não posso responder, dizem por que que eu estou triste e agora sim eu respondo que estou triste por estar aqui sozinha, eles me dizem que não estou sozinha, que estou com eles. Quando volto ao quarto tem alguém aqui comigo, ele diz que é meu amigo e que posso confiar nele e que devo contar-lhe tudo o que sinto, penso em contar, e, começo a fazê-lo, mas como pode ser meu amigo se nem olha nos meus olhos, parece que tem medo de mim, está sempre olhando para o relógio e me faz perguntas sem sentido, pergunto a ele: - você tem medo? Surpreendentemente ele me responde que sim, mas que não tem importância o que ele sente e sim o que eu sinto. Falo então que não sinto nada e que queria sair daqui, agora ele parece triste e diz que eu não posso sair agora, mas que logo poderei que eu deveria descansar. Me trazem comida, comida?! Como pode ser comida, uma sopa rala, com uma gelatina sebosa e um suco sem graça, os de branco me disseram que se eu me comportar bem vou poder comer com os outros, que outros?! Não existem outros, só existe eu nesse inferno, todos parecem de Júpiter, os de branco trazem mais comprimidinhos que me levam ao céu com os anjos.
Terceiro dia, e hoje eu tomei café da manhã com os de júpiter, não foi tão mau, a comida pelo menos era melhor, continuava sozinha, mas depois eu iria voltar a conversar com os anjos e eles eram meus amigos, mesmo assim eu estava triste. Levaram-me para tomar banho, os de branco, eu gosto de sentir a água do chuveiro caindo no meu rosto me acorda. Agora eu posso andar pelos corredores, mas, o que eu queria era ir para o jardim, um de branco, que parece bonzinho, diz que amanhã ele me leva; agora sim, eu fiquei feliz vou poder ver as flores, as aranhas, as borboletas, será que elas ainda lembram-se de mim?
Depois do jantar vou para o quarto e vou ver os anjos, mas eles não estão, mas lá, fico com medo porque só vejo o vazio, nem as estrelas brilha, mas, pelo visto agora estou sozinha e, nem os anjos me querem, mas como amiga. Estou tão só que dá vontade de chorar, mas as lagrimas não saem.
Hoje pude ir ver o jardim, é tão lindo, só que as flores começaram a rodar, e rodar cada vez mais rápido, o chão parece estar mais próximo de mim, tudo escureceu...
Agora estou em um quarto diferente, um quarto branco, tem vários tubinhos saindo dos meus braços, não consigo abrir meus olhos direito, então volto a fechá-los, não vejo mas os anjos, agora vejo o mar, tão lindo, infinito, mergulho nele sem medo - coisa que nunca tive – parece tudo tão bom. Começo a me afogar, socorro, socorro, não vem ninguém pra mim salvar, socorro, meu Deus! Respiro bem fundo e voto ao quarto branco, dessa vez tem muita gente ao meu redor, eles falam desesperados, parecem tentar me acordar, mas eu já estou acordada, por que será que eles ainda chamam o meu nome, não faz sentido, eu respondo, mostro que eu estou acordada, mas, ninguém me ouve. Agora eu vejo os de branco com rostos tristes, mas por que isso? Eu agora me sinto livre, os anjos voltaram, me chamaram para passear entre as estrelas, eu não tenho, mas medo; estou livre. Eu brilho agora tanto quanto uma estrela, e os anjos me levam parecem felizes também.
Chego ao final do caminho, olho tudo de cima e ilumino a todos.
Agora sou uma estrela!