terça-feira, 10 de maio de 2011

Jaque e Nando

As vezes o mundo parecia um pouco confuso para Jaqueline, na verdade o mundo sempre era muito confuso, as pessoas e  suas escolhas sem sentido, ela sempre se esquecia que sempre fazia escolhas que se mostravam totalmente sem sentido, como viajar pelas montanhas quando sempre teve o sonho de passar suas férias no litoral. O dia amanhecendo em meio as nuvens desenhando a silhueta de formações rochosas bem antigas, era algo lindo, fazendo com que ela sequer lembrasse que chegou a pensar em não viajar para aquele lugar lindo onde vai passar os próximos trinta dias, ali sozinha observando aquele cenário buscando inspiração para criar suas musicas.

Na primeira noite ouviu o som de passos que pareciam vim das árvores próxima a casa,  - nada de mais – pensou ela tentando acreditar que eram só animais pequenos que passeavam pelo quintal. Porem o som continuava e agora mais nítido, realmente eram passos humanos, e estavam se aproximando. Naquele momento ela não sabia se fugia ou se escondia, acabou não fazendo nem uma coisa, nem outra; foi até a porta e ao abri-la foi revelada a imagem de um homem esportivamente vestido com uma mala na mão. Os dois se olharam com alguma surpresa, que durou pouco, pois o estranho logo se apresentou.

Era Fernando, primo da amiga que tinha emprestado a casa para Jaque, ele logo explicou a ela que a prima também lhe havia emprestado a casa, e única solução era os dois dividirem-na pelo tempo que ficariam ali.

Logo a convivência tornou-se muito agradável a Jaque, aliás esse era o nome pelo qual ele a chamava, e ela se habituou a chamá-lo de Nando, a intimidade entre eles foi aumentando durante o tempo em que estavam ali, e isso foi muito produtivo, principalmente para ela que havia feito varias musicas durante o período.

Na noite do vigésimo nono dia ela tomou consciência de que estava apaixonada por aquele homem, algo que era totalmente novo. Não conseguiu dormir compondo uma musica, uma muito especial, um tributo ao amor, só que pela manhã Nando já não estava lá, tinha ido embora, sem falar com ela deixado apenas um bilhete que dizia:

“o amor é o combustível e a inspiração que você precisa para que as suas musicas toquem o coração daqueles que as escutarem. Você já o tem, não o desperdice com magoas ou rancores, e seja feliz! Eu te amo!

...Nando

Ela chorou, mas não com raiva ou rancor, e sim com uma alegria que ela própria não cria que poderia sentir depois de perder contato com o homem a quem amava. Assim que voltou para sua casa ligou para sua amiga para encontrá-la, e principalmente perguntar sobre Fernando, mas não tocou no assunto quando a encontrou, e como sua amiga também não tinha feito nenhum comentário sobre o fato de ter deixado ele ir para lá na mesma época que ela.

A musica que Jaqueline fez durante aquela noite de insónia acabou tornando-se um grande sucesso, sendo gravada por vários interpretes famosos. E sempre que a autora é questionada sobre a historia por trás da musica, ela diz que foi um anjo que apareceu em sua vida para acordar seu coração e que suas almas estão sempre juntas mesmo que não passa encontrá-lo novamente.

Lembranças de uma estrela

Agora eu estou sozinha, em um quarto escuro, as janelas têm grades, na cama só tem um colchão duro e um lençol branco pálido. É meu primeiro dia aqui, dizem que estou maluca, mas, como posso ser maluca se só tenho 18 anos, e nunca fiz nada de errado, bem, quase nada. Colocaram-me aqui como se prende um canário de quem não se quer ouvir o canto. Tento sair, mas não posso os de branco me impedem e me dão uns comprimidinhos que me deixam mole, - o que está acontecendo comigo?  Eu não posso ficar aqui com essas pessoas que não me conhecem.

Já não estou, mas sozinha, estou com os anjos, eles me levam a voar no infinito, vou para o céu com as estrelas, será que elas brilham mais do que eu? Não posso acreditar que simples poera cósmica valia mais do que eu.

Acordo, ainda estou nesse quarto o sol brilha forte, hoje eu perguntei a ele por que tenho que ficar aqui presa e ele ai livre tão longe mesmo para me ajudar, sinto seu calor como reposta, mas o que ele realmente diz?

Levam-me para fora, ou será que foi para dentro, para dentro do inferno. Todos olham para o lado onde não há nada, seus olhares são tão vazios com o mundo dentro de si. Eu não consigo me imaginar como eles, eu não posso ser doida, não sou eu sei o que posso fazer para eles entenderem... Eu me debato, eu grito, eu corro, mas logo estou de volta ao quarto e ao céu com os anjos. Eles falam comigo coisas sem sentido que eu não posso responder, dizem por que que eu estou triste e agora sim eu respondo que estou triste por estar aqui sozinha, eles me dizem que não estou sozinha, que estou com eles. Quando volto ao quarto tem alguém aqui comigo, ele diz que é meu amigo e que posso confiar nele e que devo contar-lhe tudo o que sinto, penso em contar, e, começo a fazê-lo, mas como pode ser meu amigo se nem olha nos meus olhos, parece que tem medo de mim, está sempre olhando para o relógio e me faz perguntas sem sentido, pergunto a ele: - você tem medo? Surpreendentemente ele me responde que sim, mas que não tem importância o que ele sente e sim o que eu sinto. Falo então que não sinto nada e que queria sair daqui, agora ele parece triste e diz que eu não posso sair agora, mas que logo poderei que eu deveria descansar. Me trazem comida, comida?!  Como pode ser comida, uma sopa rala, com uma gelatina sebosa e um suco sem graça, os de branco me disseram que se eu me comportar bem vou poder comer com os outros, que outros?! Não existem outros, só existe eu nesse inferno, todos parecem de Júpiter, os de branco trazem mais comprimidinhos que me levam ao céu com os anjos.

Terceiro dia, e hoje eu tomei café da manhã com os de júpiter, não foi tão mau, a comida pelo menos era melhor, continuava sozinha, mas depois eu iria voltar a conversar com os anjos e eles eram meus amigos, mesmo assim eu estava triste. Levaram-me para tomar banho, os de branco, eu gosto de sentir a água do chuveiro caindo no meu rosto me acorda. Agora eu posso andar pelos corredores, mas, o que eu queria era ir para o jardim, um de branco, que parece bonzinho, diz que amanhã ele me leva; agora sim, eu fiquei feliz vou poder ver as flores, as aranhas, as borboletas, será que elas ainda lembram-se de mim?

Depois do jantar vou para o quarto e vou ver os anjos, mas eles não estão, mas lá, fico com medo porque só vejo o vazio, nem as estrelas brilha, mas, pelo visto agora estou sozinha e, nem os anjos me querem, mas como amiga. Estou tão só que dá vontade de chorar, mas as lagrimas não saem.

Hoje pude ir ver o jardim, é tão lindo, só que as flores começaram a rodar, e rodar cada vez mais rápido, o chão parece estar mais próximo de mim, tudo escureceu...

Agora estou em um quarto diferente, um quarto branco, tem vários tubinhos saindo dos meus braços, não consigo abrir meus olhos direito, então volto a fechá-los, não vejo mas os anjos, agora vejo o mar, tão lindo, infinito, mergulho nele sem medo - coisa que nunca tive – parece tudo tão bom. Começo a me afogar, socorro, socorro, não vem ninguém pra mim salvar, socorro, meu Deus! Respiro bem fundo e voto ao quarto branco, dessa vez tem muita gente ao meu redor, eles falam desesperados, parecem tentar me acordar, mas eu já estou acordada, por que será que eles ainda chamam o meu nome, não faz sentido, eu respondo, mostro que eu estou acordada, mas, ninguém me ouve. Agora eu vejo os de branco com rostos tristes, mas por que isso? Eu agora me sinto livre, os anjos voltaram, me chamaram para passear entre as estrelas, eu não tenho, mas medo; estou livre. Eu brilho agora tanto quanto uma estrela, e os anjos me levam parecem felizes também.

Chego ao final do caminho, olho tudo de cima e ilumino a todos.

Agora sou uma estrela!

Clara e Luan

Clara e Luan

Era tarde de sol, mas toda vez que olhava para o céu, Clara tinha a nítida impressão de que logo iria chover, e não era qualquer chuva, seria quase um dilúvio, então levantou-se, pegou seu casaco, deu uma ultima olhada para o mar que estava em sua frente e foi andando a passos rápidos para casa.

Sua casa, ou melhor sua nova casa, era um conjunto de paredes e moveis em uma tranqüila rua de uma tranqüila cidade costeira, e que possuía uma atmosfera aconchegante. Só foi fechar a porta atrás de si que Clara logo escutou os pingos de chuva cair, isso que foi sorte pensou ela.

Do outro lado da cidade Luan ao perceber a eminente chuva correu para o hotel em que estava hospedado havia apenas 24 horas. No hotel começou a planejar as atividades do dia seguinte: faria um passeio pela praia, iria procurar uma livraria ou algo mais parecido com uma que tivesse naquela cidade, e tentaria conhecer o Maximo daquele lugar onde fora passar suas três semanas de férias e onde tentaria se divertir um pouco, descansando da vida da cidade grande.

A chuva piorou e inundou boa parte da cidade, mas não chegou a causar muitos estragos, e pela manhã as pessoas tentavam colocar suas vidas em ordem. Clara deixou-se acordar tarde, afinal era sábado e para qualquer pessoa era um dia de descanso, afinal não tinha nenhuma obrigação a cumprir, mas, para não ficar sem fazer nada o dia inteiro resolveu arrumar a casa, como tinha se mudado há pouco tempo tinha muito o que fazer para tornar aquela casa uma lar, e o primeiro lugar a organizar seria a dispensa a qual estava vazia.

Luan não conseguiu dormir direito durante a noite, pois o som da chuva só trazia a ele a inspiração para o desenho, como ilustrador ele não perdia esse tipo de oportunidade de extravasar sua criatividade, acabou então dormindo com o dia amanhecendo e deixado se passeio para mais tarde.

Após comprar tudo de que precisava, Clara cheia de sacolas foi andado sem pressa para casa, gostava de caminhar. Viu a livraria da cidade e não pode deixar de ficar ali parada admirando os livros, obras-primas, que estavam em sua frente; ela tinha paixão pelos livros, e acabou ficando um bom tempo ali parada em frente a vitrine, quando viu o reflexo de um homem, provavelmente com mais ou menos a mesma idade que ela, com uma aparência relaxada, pele clara, ele permaneceu frente a vitrine por pouco tempo, mas, foi o suficiente para Clara memorizar cada detalhe do desconhecido rapaz, logo que ele entrou ela não teve coragem de acompanhar seus movimentos com o olhar e teve que voltar para casa.

Quem seria aquela mulher? Foi a pergunta que não saia da cabeça de Luan durante todo o tempo em que ficou na livraria, ela parecia tão entusiasmada com os livros e era linda, aquela cidade enfim valera a pena, mas como saberia onde encontrá-la, se logo depois que entrou ela se foi. Então ele fez o mais lógico, perguntou a balconista da livraria se ela conhecia a moça que estava na vitrine, mas a funcionaria sequer tinha visto a linda moça. Só restava a ele pedir a Deus que fizesse-a cruzar seu cominho outra vez, o que aconteceria dois dias depois.

O encontro

Na segunda-feira, finalmente sol, Luan resolveu aproveitar o mar e nadar um pouco, ao sair da água teve a melhor visão que poderia ter, era ela, nem acreditava no que seus olhos estavam vendo; aquele anjo ali sentado a areia super tranqüila, lendo um livro qualquer – que deveria ser muito bom dada a concentração com que lia – ele não podia deixar aquela oportunidade passar.

Clara estava relaxada na praia lendo um livro bem interessante cuja historia nem lembra mais, pois o que ficou na memória foi o atrevimento e a coragem daquele homem em ir falar com ela, mal acreditou quando o viu indo em sua direção, muito menos quando o ouviu dizer algumas palavras que soavam como musica aos seus ouvidos. O nome do agora não mas desconhecido era Luan, ficaram um tempo incalculável conversando coisas quase sem sentido e quase sem propósito. Ele acabou a convidando para jantar no restaurante do hotel em que estava hospedado.

Luan nem acreditou quando Clara – que nome lindo – aceitou seu convite para jantar, tudo parecia a ele um sonho.

Ao anoitecer quase explodindo de felicidade foi ele ao restaurante do hotel, tinham marcado ás 19:00 horas faltavam 15 minutos, acomodou-se em uma mesa e ficou esperando até as 20:00 horas e ela não apareceu. Ele a procurou pela cidade no dia seguinte, ligou diversas vezes para o numero que ela lhe dera, mas ninguém atendia ou sabia dela. Suas férias foram terminando e não teve noticias, então não teve alternativas a não ser voltar a sua vida de ilustrador de revistas, passou meses sem entender, buscando os olhos daquela mulher em todos os olhares que cruzavam seu caminho não encontrando sequer vestígios daquele anjo que apareceu em sua vida como numa visão e da mesma forma sumiu.

O reencontro

Passou-se mais de um ano por mais que tentasse Luan não conseguia se entusiasmar com nenhuma outra mulher, e inevitavelmente acabou tornando Clara musa de seus desenhos e quadros.

No seu aniversario convidou um casal de amigos, os quais não via a um bom tempo, para jantar em sua casa. Durante o jantar, seu amigo reparou em um quadro de mulher assinado por Luan que estava na parede, intrigado com a imagem perguntou a ele sobre a mulher do quadro. Quando então Luan acabou explicando a sua historia com Clara, e para sua feliz surpresa o seu amigo a conhecia e muito bem, pois era seu irmão. Contou a ele que Clara tinha sido atropelada ao sair da casa para onde havia se mudado pouco tempo antes, devido a isto ficou algum tempo internada e na confusão perdeu o celular, acabou indo morar com ele, que durante o tempo em que esteve na casa de seu irmão não se interessou por ninguém por mas que ele lhe apresentasse a todos os seus amigos solteiros para ver se ela se interessava e que iria trazê-la ao jantar mas ela recusou sem deixá-lo explicar do que se tratava.

Clara estava já cansada do seu irmão lhe apresentar um monte de caras na esperança dela se interessar, sabia que sua intenção era boa mas aquilo já tava ficando insuportável, pois o infeliz acidente que sofrera tinha lhe tirado a oportunidade de começar alguma coisa com o único homem que lhe interessava. Chegou ao apartamento de seu irmão mas estranhamente havia alguém na sala e não eram nem seu irmão nem sua cunhada. Quando a pessoa chamou pelo seu nome, seu coração quase saiu pela boca, não acreditou em seus ouvidos ou em sua memória, pior deixou de acreditar em sua sanidade – não poderia ser ele – já havia se passado muito tempo, mas, nem seus ouvidos nem sua sanidade a estavam enganando.

Luan o homem por quem ela havia se apaixonado e de quem não tinha a mínima esperança de reencontrar, estava bem na sua frente era para Clara uma cena tanto inexplicável quanto inacreditável.

Para Luan foi surreal ver aqueles olhos de novo, seu coração não se agüentava no lugar, seu amigo havia sido muito generoso ao permitir que ele esperasse Clara no seu apartamento.

Naquele momento as palavras não precisavam ser trocadas, o silencio traduzia pelo olhar deles tudo o que um queria dizer ao outro, todo o tempo passado desde o dia na praia parecia ter voltado agora pois a emoção que sentiam era ainda a mesma ou mais forte. Finalmente conseguiram jantar, não mas em um restaurante, mas na casa do irmão de Clara. Mas o cenário era o menos importante naquele momento, no dia de seu aniversario Luan ganhou o melhor presente de toda a sua vida, a mulher que acabou sendo sua companheira por toda a sua jornada. E Clara pode ver os sonhos de uma vida feliz realizados, apesar de todas as dificuldades e problemas enfrentados.