Clara e Luan
Era tarde de sol, mas toda vez que olhava para o céu, Clara tinha a nítida impressão de que logo iria chover, e não era qualquer chuva, seria quase um dilúvio, então levantou-se, pegou seu casaco, deu uma ultima olhada para o mar que estava em sua frente e foi andando a passos rápidos para casa.
Sua casa, ou melhor sua nova casa, era um conjunto de paredes e moveis em uma tranqüila rua de uma tranqüila cidade costeira, e que possuía uma atmosfera aconchegante. Só foi fechar a porta atrás de si que Clara logo escutou os pingos de chuva cair, isso que foi sorte pensou ela.
Do outro lado da cidade Luan ao perceber a eminente chuva correu para o hotel em que estava hospedado havia apenas 24 horas. No hotel começou a planejar as atividades do dia seguinte: faria um passeio pela praia, iria procurar uma livraria ou algo mais parecido com uma que tivesse naquela cidade, e tentaria conhecer o Maximo daquele lugar onde fora passar suas três semanas de férias e onde tentaria se divertir um pouco, descansando da vida da cidade grande.
A chuva piorou e inundou boa parte da cidade, mas não chegou a causar muitos estragos, e pela manhã as pessoas tentavam colocar suas vidas em ordem. Clara deixou-se acordar tarde, afinal era sábado e para qualquer pessoa era um dia de descanso, afinal não tinha nenhuma obrigação a cumprir, mas, para não ficar sem fazer nada o dia inteiro resolveu arrumar a casa, como tinha se mudado há pouco tempo tinha muito o que fazer para tornar aquela casa uma lar, e o primeiro lugar a organizar seria a dispensa a qual estava vazia.
Luan não conseguiu dormir direito durante a noite, pois o som da chuva só trazia a ele a inspiração para o desenho, como ilustrador ele não perdia esse tipo de oportunidade de extravasar sua criatividade, acabou então dormindo com o dia amanhecendo e deixado se passeio para mais tarde.
Após comprar tudo de que precisava, Clara cheia de sacolas foi andado sem pressa para casa, gostava de caminhar. Viu a livraria da cidade e não pode deixar de ficar ali parada admirando os livros, obras-primas, que estavam em sua frente; ela tinha paixão pelos livros, e acabou ficando um bom tempo ali parada em frente a vitrine, quando viu o reflexo de um homem, provavelmente com mais ou menos a mesma idade que ela, com uma aparência relaxada, pele clara, ele permaneceu frente a vitrine por pouco tempo, mas, foi o suficiente para Clara memorizar cada detalhe do desconhecido rapaz, logo que ele entrou ela não teve coragem de acompanhar seus movimentos com o olhar e teve que voltar para casa.
Quem seria aquela mulher? Foi a pergunta que não saia da cabeça de Luan durante todo o tempo em que ficou na livraria, ela parecia tão entusiasmada com os livros e era linda, aquela cidade enfim valera a pena, mas como saberia onde encontrá-la, se logo depois que entrou ela se foi. Então ele fez o mais lógico, perguntou a balconista da livraria se ela conhecia a moça que estava na vitrine, mas a funcionaria sequer tinha visto a linda moça. Só restava a ele pedir a Deus que fizesse-a cruzar seu cominho outra vez, o que aconteceria dois dias depois.
O encontro
Na segunda-feira, finalmente sol, Luan resolveu aproveitar o mar e nadar um pouco, ao sair da água teve a melhor visão que poderia ter, era ela, nem acreditava no que seus olhos estavam vendo; aquele anjo ali sentado a areia super tranqüila, lendo um livro qualquer – que deveria ser muito bom dada a concentração com que lia – ele não podia deixar aquela oportunidade passar.
Clara estava relaxada na praia lendo um livro bem interessante cuja historia nem lembra mais, pois o que ficou na memória foi o atrevimento e a coragem daquele homem em ir falar com ela, mal acreditou quando o viu indo em sua direção, muito menos quando o ouviu dizer algumas palavras que soavam como musica aos seus ouvidos. O nome do agora não mas desconhecido era Luan, ficaram um tempo incalculável conversando coisas quase sem sentido e quase sem propósito. Ele acabou a convidando para jantar no restaurante do hotel em que estava hospedado.
Luan nem acreditou quando Clara – que nome lindo – aceitou seu convite para jantar, tudo parecia a ele um sonho.
Ao anoitecer quase explodindo de felicidade foi ele ao restaurante do hotel, tinham marcado ás 19:00 horas faltavam 15 minutos, acomodou-se em uma mesa e ficou esperando até as 20:00 horas e ela não apareceu. Ele a procurou pela cidade no dia seguinte, ligou diversas vezes para o numero que ela lhe dera, mas ninguém atendia ou sabia dela. Suas férias foram terminando e não teve noticias, então não teve alternativas a não ser voltar a sua vida de ilustrador de revistas, passou meses sem entender, buscando os olhos daquela mulher em todos os olhares que cruzavam seu caminho não encontrando sequer vestígios daquele anjo que apareceu em sua vida como numa visão e da mesma forma sumiu.
O reencontro
Passou-se mais de um ano por mais que tentasse Luan não conseguia se entusiasmar com nenhuma outra mulher, e inevitavelmente acabou tornando Clara musa de seus desenhos e quadros.
No seu aniversario convidou um casal de amigos, os quais não via a um bom tempo, para jantar em sua casa. Durante o jantar, seu amigo reparou em um quadro de mulher assinado por Luan que estava na parede, intrigado com a imagem perguntou a ele sobre a mulher do quadro. Quando então Luan acabou explicando a sua historia com Clara, e para sua feliz surpresa o seu amigo a conhecia e muito bem, pois era seu irmão. Contou a ele que Clara tinha sido atropelada ao sair da casa para onde havia se mudado pouco tempo antes, devido a isto ficou algum tempo internada e na confusão perdeu o celular, acabou indo morar com ele, que durante o tempo em que esteve na casa de seu irmão não se interessou por ninguém por mas que ele lhe apresentasse a todos os seus amigos solteiros para ver se ela se interessava e que iria trazê-la ao jantar mas ela recusou sem deixá-lo explicar do que se tratava.
Clara estava já cansada do seu irmão lhe apresentar um monte de caras na esperança dela se interessar, sabia que sua intenção era boa mas aquilo já tava ficando insuportável, pois o infeliz acidente que sofrera tinha lhe tirado a oportunidade de começar alguma coisa com o único homem que lhe interessava. Chegou ao apartamento de seu irmão mas estranhamente havia alguém na sala e não eram nem seu irmão nem sua cunhada. Quando a pessoa chamou pelo seu nome, seu coração quase saiu pela boca, não acreditou em seus ouvidos ou em sua memória, pior deixou de acreditar em sua sanidade – não poderia ser ele – já havia se passado muito tempo, mas, nem seus ouvidos nem sua sanidade a estavam enganando.
Luan o homem por quem ela havia se apaixonado e de quem não tinha a mínima esperança de reencontrar, estava bem na sua frente era para Clara uma cena tanto inexplicável quanto inacreditável.
Para Luan foi surreal ver aqueles olhos de novo, seu coração não se agüentava no lugar, seu amigo havia sido muito generoso ao permitir que ele esperasse Clara no seu apartamento.
Naquele momento as palavras não precisavam ser trocadas, o silencio traduzia pelo olhar deles tudo o que um queria dizer ao outro, todo o tempo passado desde o dia na praia parecia ter voltado agora pois a emoção que sentiam era ainda a mesma ou mais forte. Finalmente conseguiram jantar, não mas em um restaurante, mas na casa do irmão de Clara. Mas o cenário era o menos importante naquele momento, no dia de seu aniversario Luan ganhou o melhor presente de toda a sua vida, a mulher que acabou sendo sua companheira por toda a sua jornada. E Clara pode ver os sonhos de uma vida feliz realizados, apesar de todas as dificuldades e problemas enfrentados.